Quando o prazer dói: o que seu corpo está tentando te contar

1/2/20263 min read

Dor,

desconforto, falta de vontade, falta de prazer, dificuldade de ereção, orgasmo que não chega, ejaculação muito rápida…

Essas frases não são apenas sintomas.

São pedidos de ajuda do corpo. São sinais. São histórias que precisam ser escutadas.

A sexualidade não é uma performance - é um diálogo.

E quando esse diálogo começa a falhar, o corpo tenta avisar do jeito que consegue.

Muita gente atravessa essa fase em silêncio, acreditando que “é coisa da cabeça”, que “é normal”, ou que “vai passar sozinho”.

Mas o silêncio costuma fazer o problema crescer.

Por que o prazer parece desaparecer?

Não existe uma resposta única.

Mas existe uma verdade essencial:

o prazer feminino e masculino não nasce só do corpo - ele nasce da vida.

Quando uma mulher não sente prazer, isso pode acontecer por motivos que se misturam:

  • Uma quebra no ciclo sexual

O ciclo sexual tem três fases: desejo, excitação e orgasmo.

Se qualquer uma delas é interrompida, o prazer não se completa.

E isso pode acontecer com todas as pessoas, em qualquer fase da vida.

  • Pode ser psicológico. Pode ser orgânico. Pode ser os dois.

Somos corpo e mente - e não existe uma linha que separa um do outro.

Ansiedade, mágoas, estresse, traumas e cansaço emocional afetam diretamente o desejo.

Assim como tensão muscular, dor na penetração, falta de lubrificação e alterações hormonais.

  • Pode ser algo passageiro… ou persistente

Mudanças na rotina, conflitos no relacionamento, sobrecarga, transtornos emocionais ou mesmo alterações fisiológicas podem afetar o prazer por semanas, meses ou anos.

Mas nada disso define quem você é. E nada disso precisa ser vivido sozinho.

O prazer não está apenas na penetração

Esse talvez seja o mito que mais adoece a vida sexual.

A pele é o maior órgão do corpo.

É através dela que sentimos calor, carinho, presença, segurança — e prazer.

O corpo inteiro é um território sensorial.

O toque, o cheiro, a respiração, a imaginação, a conexão afetiva… tudo isso faz parte da experiência sexual.

Mas a verdade é que:

  • mágoas acumuladas

  • lembranças difíceis

  • sentimentos de raiva ou rejeição

  • ansiedade

  • medo do julgamento

  • vergonha

    ...tudo isso pode cortar o acesso ao prazer.

O corpo entra em modo de proteção não de entrega.

E o prazer deixa de ser possível não porque “falhou”, mas porque está tentando proteger você.

E quando o corpo dói?

O prazer também pode ser interrompido por questões orgânicas, como:

  • tensão do assoalho pélvico

  • vaginismo

  • dispareunia

  • presença de pontos gatilho

  • baixa lubrificação

  • baixa circulação genital

  • alterações hormonais

  • disfunção erétil

  • ejaculação precoce

Tudo isso tem nome.

Tudo isso tem explicação.

Tudo isso tem tratamento.

O corpo não está “te sabotando” - ele está pedindo cuidado.

A verdade que ninguém deveria esquecer

Independente da causa, o mais importante é: Cuidar do seu prazer é cuidar da sua saúde.

Prazer não é luxo.

Prazer não é futilidade.

Prazer é saúde física, mental e emocional.

E procurar ajuda não é sinal de fraqueza.

É um ato de maturidade, coragem e amor-próprio.

Aqui no nusex, acolhemos sua história com respeito, ciência e humanidade.

Sem julgamentos. Sem tabus.

Só cuidado, orientação e caminhos possíveis.

Se o seu corpo está pedindo ajuda, nós estamos aqui para escutar.

Referências:

1. “Dificuldades Sexuais Femininas: Diagnóstico e Tratamento” – Profa. Carmita Abdo (FMUSP / Instituto de Psiquiatria IPq-USP)

Psiquiatra e sexóloga referência no Brasil. Aborda causas psicológicas e orgânicas das disfunções.

2. “Sexualidade Humana na Prática Clínica” – Eliana T. Amaral (UNICAMP)

Ginecologista e pesquisadora. Foca nas influências hormonais, dores sexuais e prazer.

3. Protocolo Brasileiro de Disfunções Sexuais Femininas – FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia)

Guia técnico que explica causas, diagnóstico e tratamentos com base científica.

4. “Disfunções Sexuais: Abordagem Multidisciplinar” – Hospital das Clínicas da UFMG

Publicação da equipe de Ginecologia e Saúde da Mulher, com foco em dor pélvica, lubrificação e resposta sexual.

5. “Manual de Sexologia Clínica” – Maria Helena Villas-Boas Conçalves (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana – SBRASH)

Material de referência nacional sobre desejo, excitação, orgasmo e impactos emocionais.